A realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30), em Belém (PA), reúne governos, especialistas, organizações internacionais e representantes de diversos segmentos produtivos. Entre as entidades brasileiras presentes está a Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (APROBIO), que participa da conferência com o objetivo de expor dados e posições do setor de biodiesel no contexto da transição energética.
A atuação da entidade na COP 30 conta com a presença de Francisco Turra, presidente dos Conselhos de Administração da APROBIO e também presidente do Conselho Consultivo da ABPA. A APROBIO estava presente no estande “Brazilian Sustainable Transportation”, espaço organizado na Blue Zone, área oficial que concentra negociações e eventos credenciados da conferência.
O estande é fruto de uma parceria entre a APROBIO, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA), a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio).
Segundo Turra, a COP 30 é vista pelo setor como um momento oportuno para reforçar a necessidade de que compromissos internacionais assumidos ao longo da última década avancem para etapas concretas de implementação. Ele destaca que o debate sobre biocombustíveis tem ganhado mais atenção em fóruns internacionais e que o Brasil chega ao encontro com uma cadeia produtiva já estruturada.
A COP 30 e o biodiesel
A conferência de Belém marca dez anos desde a assinatura do Acordo de Paris, que estabeleceu metas para conter o aquecimento global. Para representantes do setor de biodiesel, a discussão sobre o cumprimento dessas metas abre espaço para que países detalhem medidas adotadas e apresentem exemplos de políticas públicas, tecnologias e iniciativas capazes de reduzir emissões. Turra afirma que o ambiente da COP permite que diferentes setores exponham resultados e desafios, criando oportunidades de diálogo com governos e delegações estrangeiras.
No estande, a programação inclui painéis, apresentações técnicas, conteúdos audiovisuais e reuniões bilaterais. Os temas abordados vão de mobilidade sustentável a políticas regulatórias, passando por descarbonização do transporte pesado, economia circular e integração entre cadeias produtivas. A participação de Turra ocorre principalmente em eventos e encontros que tratam da evolução do mercado de biodiesel no Brasil e de sua inserção nas políticas de transição energética.
Além das entidades que coordenam o espaço, outras organizações participam da iniciativa, entre elas a Associação Brasileira do Biogás (Abiogás), a Associação Brasileira da Indústria de Autopeças (Abipeças), a Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), a Bioenergia Brasil, o Instituto de Qualidade Automotiva (IQA), o Instituto Mobilidade de Baixo Carbono Brasil (MBCB), a Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (SAE Brasil), a União Nacional do Etanol de Milho (Unem) e a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica). A presença desses grupos evidencia a articulação entre diferentes setores ligados à mobilidade e à energia.
Biodiesel brasileiro
Nos últimos meses, o governo federal tem mencionado, em discursos públicos, a intenção de ampliar a presença dos biocombustíveis na matriz energética. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva citou a expertise brasileira no setor como um dos aspectos que o país pretende destacar nas discussões internacionais. Para Turra, declarações como essa reforçam a relevância de apresentar, na COP, a trajetória das políticas nacionais voltadas ao biodiesel, incluindo o percentual obrigatório de mistura ao diesel fóssil e o programa RenovaBio, que estrutura mecanismos de incentivo e certificação para produtores.
O biodiesel brasileiro é produzido a partir de matérias-primas diversas, como soja, sebo bovino e óleos residuais. A cadeia envolve desde agricultores familiares até grandes indústrias, passando por cooperativas, transportadores e empresas de distribuição. Turra costuma destacar essa característica multifacetada como um ponto relevante para compreender o impacto econômico e social do setor, especialmente em regiões onde o cultivo de oleaginosas e a produção industrial de biocombustíveis têm presença consolidada.
Na COP 30, um dos objetivos da APROBIO é apresentar dados que mostram como a cadeia produtiva evoluiu ao longo dos últimos anos e como ela se insere nos debates sobre redução de emissões. Turra participa de encontros que discutem, por exemplo, desafios regulatórios, oportunidades industriais e estratégias de integração entre cadeias relacionadas à bioenergia, aspectos que influenciam diretamente o setor de biodiesel.
A realização da conferência na Região Norte também amplia o interesse por discussões sobre modelos de desenvolvimento na Amazônia, infraestrutura regional e alternativas econômicas compatíveis com metas ambientais. Em diferentes momentos da programação, Turra enfatiza que políticas relacionadas a biocombustíveis se conectam a debates mais amplos sobre geração de renda no campo, industrialização regional e inserção do país nas cadeias globais de energia de baixo carbono.
Ao participar da COP 30, a APROBIO busca acompanhar as negociações multilaterais sobre clima, dialogar com representantes internacionais e contribuir para a troca de informações sobre políticas e experiências nacionais. Para Turra, iniciativas como o estande “Brazilian Sustainable Transportation” funcionam como espaços para apresentar dados, esclarecer dúvidas e fomentar discussões técnicas em um ambiente marcado pela diversidade de agendas e interesses.
Fonte: Agro Estadão
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