A Be8, uma das principais produtoras de biodiesel do Brasil, anunciou um novo movimento de expansão ao confirmar a compra da unidade de produção da União Agroindustrial em Alto Araguaia (MT), anteriormente conhecida como Fênix Biodiesel. O valor do negócio não foi divulgado, mas a operação representa mais um passo no plano de crescimento da companhia, que busca consolidar sua posição no mercado nacional de biocombustíveis.
Localizada em uma área estratégica, a planta de Alto Araguaia tem capacidade produtiva anual de 245 milhões de litros e está posicionada para atender de forma eficiente clientes das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste. De acordo com a Be8, a aquisição permitirá ampliar a oferta e reforçar a logística de distribuição em mercados relevantes para o setor.
Expansão da capacidade e participação de mercado
Com a incorporação da nova unidade, a Be8 projeta um aumento de 16,7% na capacidade instalada, que passará de 1,46 bilhão para 1,71 bilhão de litros por ano. A empresa calcula que esse incremento deve elevar sua fatia no mercado brasileiro de biodiesel para cerca de 15%, consolidando sua posição entre os maiores fabricantes do país.
Apesar do anúncio, a aquisição ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). Caso o órgão regulador dê sinal verde, a Be8 passará a contar com uma estrutura industrial ainda mais robusta, fortalecendo sua atuação nacional.
Fundada em 2008 como Agrenco, a fábrica de Alto Araguaia passou por diversas reestruturações ao longo dos anos. Em 2024, foi adquirida pelo atual grupo controlador, e agora inicia um novo ciclo como parte da Be8 — que vem adotando uma estratégia clara de expansão e diversificação.
Rede industrial reforçada no Brasil e no exterior
Com a nova aquisição, a Be8 passa a operar seis unidades de produção no Brasil. Além da planta de Alto Araguaia, o portfólio inclui fábricas em Passo Fundo (RS), Marialva (PR), Nova Marilândia (MT), Floriano (PI) e Santo Antônio do Tauá (PA). No exterior, a companhia mantém operações em La Paloma, no Paraguai, e em Domdidier, na Suíça.
Esse conjunto de estruturas reflete a estratégia de expansão continental da empresa, que busca integrar diferentes mercados e ampliar sua participação tanto na cadeia de biodiesel como em novos segmentos ligados à bioenergia.
Outro movimento recente nesse sentido foi a assinatura de uma carta de intenções pelo presidente da empresa, Erasmo Carlos Battistella, para investir na expansão da unidade de Floriano, no Piauí. O projeto prevê a instalação de uma segunda planta industrial no local, ampliando a produção e fortalecendo a presença da Be8 no Nordeste.
Produção e comercialização de CO₂ biogênico
Paralelamente ao anúncio da compra da usina, a Be8 revelou uma segunda iniciativa estratégica: a assinatura de uma carta de intenções com a Air Liquide Brasil para a venda de CO₂ biogênico. O acordo envolve o fornecimento do gás capturado no processo de produção de etanol da futura unidade da companhia em Passo Fundo (RS), cuja operação está prevista para começar no segundo semestre de 2026.
A planta integra um complexo agroindustrial que vai produzir etanol, glúten vital e DDGS (farelo de milho resultante da fermentação). Durante a etapa de fermentação, ocorre a emissão de CO₂, que, em vez de ser liberado na atmosfera, será capturado e destinado a usos industriais. Segundo a empresa, essa abordagem permite “incorporar o CO₂ biogênico à cadeia produtiva” e ampliar o aproveitamento da biomassa.
Aplicações industriais e benefícios ambientais
O CO₂ capturado será purificado pela Air Liquide de acordo com parâmetros específicos, podendo atender a padrões de grau alimentício e até aplicações medicinais. A versatilidade do insumo permite seu uso em diversos setores, como hospitais, indústria de bebidas, metalmecânica, refrigeração, agricultura em estufas e outras áreas que dependem de processos controlados.
Ao incluir o CO₂ biogênico em sua carteira, a Be8 afirma que complementa o ciclo produtivo previsto para a unidade de Passo Fundo. A iniciativa se alinha a uma tendência global de valorização integral da biomassa, ampliando a eficiência ambiental e econômica das operações ligadas à bioenergia.
Integração de negócios e visão para o futuro
As duas iniciativas — a compra da usina em Mato Grosso e o acordo para comercialização de CO₂ biogênico — reforçam a estratégia da Be8 de diversificar suas fontes de receita e ampliar sua participação em diferentes elos da cadeia agroindustrial.
Ao mesmo tempo em que expande a produção de biodiesel, a empresa avança em fontes renováveis e aposta em tecnologias que permitam reduzir emissões e incrementar a sustentabilidade dos processos. A expectativa é de que esses movimentos consolidem a Be8 como uma referência em soluções de baixo carbono no país.
Fonte: Globo Rural
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