Governo reavalia cronograma da Lei do Combustível do Futuro diante de impasses técnicos e econômicos; indústria teme novos atrasos após a demora na adoção do B15.
O governo federal deve rever o cronograma de aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel, prevista para chegar a 16% (B16) em março de 2026. A informação foi confirmada por técnicos do Ministério de Minas e Energia (MME), que avaliam dificuldades operacionais e logísticas enfrentadas na implementação anterior, quando a etapa do B15 sofreu sucessivos adiamentos.
A Lei do Combustível do Futuro estabelece que o Brasil alcance o patamar de 20% (B20) até 2030, mas a transição de um ponto percentual por ano está sob pressão. O setor produtivo alerta para gargalos de infraestrutura e de qualidade no transporte e armazenamento, além de custos que podem recair sobre o preço final do diesel.
Setor teme novos atrasos
O B15, previsto originalmente para março de 2025, só entrou em vigor em agosto, após meses de testes e ajustes de conformidade. A ampliação para B16 representaria cerca de 700 milhões de litros adicionais de biodiesel, demandando maior capacidade de mistura e controle de pureza nos polos de distribuição.
Segundo o MME, um comitê técnico será criado para avaliar a viabilidade da nova etapa. O grupo deve reunir representantes da indústria, montadoras e órgãos reguladores.
Impactos e incertezas
O Brasil possui capacidade instalada de produção próxima a 15 bilhões de litros por ano, mas enfrenta desafios de escoamento, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.
Além disso, o setor automotivo pede cautela: ainda há dúvidas sobre o comportamento de motores em misturas mais altas, especialmente em frotas pesadas e caminhões de longa distância.
Especialistas afirmam que o país deve equilibrar a ambição ambiental com estabilidade regulatória. “O aumento da mistura é positivo, mas requer previsibilidade e comunicação técnica para evitar rupturas de mercado”, avalia um consultor do setor energético.
O que está em jogo
Se o cronograma for adiado, o país poderá manter o B15 por mais tempo. A decisão, no entanto, deve reacender debates sobre metas climáticas e políticas públicas de transição energética.
Para a indústria, a postergação pode significar tempo adicional para ajustes, mas também perda de ritmo em investimentos e credibilidade no mercado internacional.
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