Projeções indicam aumento no consumo nacional e consolidação do óleo de soja como principal insumo; diversificação de matérias-primas segue desafio.
O mercado brasileiro de biodiesel deve manter trajetória de crescimento em 2026, impulsionado pela consolidação da mistura B15 e pela expansão do uso de óleo de soja. Estimativas da consultoria StoneX apontam que o consumo deve subir 6,3% em relação a 2025, alcançando 8,4 milhões de toneladas.
De janeiro a setembro deste ano, o volume comercializado chegou a 6,4 milhões de m³, um avanço de 6,4% frente ao mesmo período de 2024. Segundo o levantamento, o consumo mensal de óleo de soja destinado à produção de biodiesel atingiu recorde histórico de 724,8 mil toneladas, consolidando o insumo como a principal matéria-prima do setor.
Produção concentrada e riscos
O biodiesel brasileiro depende fortemente da soja, que responde por mais de 70% da oferta nacional. Essa concentração, embora favoreça a escala e a competitividade, também torna o mercado vulnerável a variações climáticas, cambiais e de safra.
Analistas apontam que oscilações no preço internacional do grão e do óleo vegetal podem impactar custos de produção e margens das usinas. “A dependência da soja cria um ponto de atenção, principalmente em anos de estiagem ou volatilidade do dólar”, alerta um economista ouvido pelo Biodiesel Brasil.
Perspectiva regional
Os estados do Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Goiás permanecem como os principais polos produtores, mas há novos investimentos em regiões como Maranhão e Pará, impulsionados por incentivos logísticos e fiscais. A tendência é que a descentralização reduza custos de transporte e estimule a entrada de pequenas e médias usinas.
Expectativas para 2026
Com a consolidação do B15 e expectativa de aumento gradual das misturas, o mercado deve manter ritmo firme. Para especialistas, a próxima fase será ampliar a base de matérias-primas — incluindo gordura animal, sebo bovino e óleo de algodão — para reduzir riscos e garantir estabilidade de preços.
“O crescimento é sólido, mas a diversificação é fundamental para sustentar o setor no longo prazo”, resume a consultoria StoneX.
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