A alta recente no preço do diesel anunciada pela Petrobras foi atribuída à escalada de tensões no Oriente Médio, segundo explicou a presidente da companhia, Magda Chambriard. Em entrevista coletiva concedida nesta sexta-feira (13), a executiva afirmou que o conflito internacional alterou o cenário de preços do combustível, que vinha apresentando tendência de queda nas últimas semanas.
De acordo com Chambriard, o mercado internacional passou por mudanças rápidas com a guerra na região, fator que pressionou os custos. A Petrobras informou que acompanha diariamente a evolução dos preços e mantém monitoramento constante do ambiente externo.
Até o momento, segundo a companhia, não há indicação de reajuste no preço da gasolina.
Apesar da instabilidade no mercado global, a estatal informou que mantém o abastecimento regular no país. A empresa afirma que as entregas às distribuidoras estão sendo realizadas normalmente e, em alguns casos, acima do volume previamente acordado. Dessa forma, não haveria, segundo a Petrobras, justificativa para aumento de preços de forma abusiva nos postos.
“Nossa preocupação continua a mesma, não passar para a sociedade um nervosismo desnecessário”, enfatizou a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.
Guerra altera tendência de queda no diesel
Segundo a executiva, o preço do diesel vinha em trajetória de redução e a expectativa da companhia, semanas atrás, era de continuidade desse movimento. O conflito internacional, porém, mudou a dinâmica do mercado.
“A guerra foi o fator determinante para esse aumento. Eu estava, 20 dias atrás, com tendência de queda de preço”, disse.
Diante desse cenário, o reajuste acabou sendo necessário para acompanhar as pressões externas. Ainda assim, o impacto poderia ter sido maior caso medidas emergenciais não tivessem sido adotadas pelo governo federal.
Medidas fiscais reduziram impacto do aumento
Para conter o efeito da alta internacional do petróleo, o governo decidiu suspender tributos federais sobre o diesel. A medida zerou as alíquotas de PIS e Cofins incidentes sobre a importação e comercialização do combustível.
Segundo cálculos do Ministério da Fazenda, a retirada desses impostos representa redução de cerca de R$ 0,32 por litro no preço do diesel.
Além disso, foi assinada uma medida provisória que prevê subvenção ao diesel destinada a produtores e importadores, mecanismo que ajuda a estabilizar o mercado interno.
Sem esse conjunto de ações, explicou Chambriard, o reajuste necessário para compensar os custos externos chegaria a aproximadamente R$ 0,70 por litro. Com as medidas, a alta efetiva aplicada pela Petrobras foi reduzida para R$ 0,06.
“O governo agiu tempestivamente, transformando um acréscimo de R$ 0,70 em um acréscimo irrisório, praticamente nenhum, de R$ 0,06”, destacou Chambriard.
Para o consumidor final, o impacto tende a ser ainda menor. Isso ocorre porque o diesel comercializado no país é misturado ao biodiesel antes da venda nos postos, o que dilui parte da variação de preço.
Ainda assim, o valor final pago pelos motoristas depende das decisões de cada posto revendedor.
Petrobras critica aumentos sem justificativa
Mesmo sem reajuste no preço da gasolina nas refinarias, consumidores têm relatado elevação do valor do combustível em alguns postos pelo país. Questionada sobre a situação, Chambriard afirmou que não há motivo técnico para esse tipo de aumento.
Segundo ela, a Petrobras mantém as entregas regulares e não alterou o preço da gasolina.
A executiva defendeu que o setor tenha cautela em meio à volatilidade internacional e evite repasses especulativos que afetem diretamente os consumidores.
“Esperamos que, nesse momento difícil para sociedade brasileira e mundial, que haja sensibilidade suficiente para não buscar aumento de margem de forma especulativa”, afirmou.
Chambriard também observou que, em períodos de instabilidade econômica, alguns agentes do mercado tendem a ampliar margens de lucro.
“Em um momento desse de alta volatilidade no Brasil, os agentes econômicos aproveitam para aumentar a margem [de lucro]”, disse.
Ela ressaltou que cabe aos órgãos responsáveis pela fiscalização acompanhar os preços praticados e adotar medidas caso sejam identificadas irregularidades.
Limitação da Petrobras na venda ao consumidor
A presidente da estatal também lembrou que a empresa não atua mais diretamente na venda de combustíveis ao consumidor final. A Petrobras comercializa seus produtos principalmente para distribuidoras, que fazem a revenda aos postos.
Essa mudança ocorreu após a privatização da antiga BR Distribuidora, que passou a se chamar Vibra Energia.
Com a operação, a compradora recebeu licença para manter a marca BR nos postos até 28 de junho de 2029. Apesar da identidade visual ainda associada à Petrobras, os estabelecimentos não pertencem mais à estatal.
O acordo também inclui cláusula de não concorrência, que impede a Petrobras de disputar diretamente o mercado de revenda com a Vibra durante o período estabelecido.
Pedido para redução de impostos estaduais
Durante a coletiva, Chambriard também fez um apelo aos governos estaduais para que reduzam tributos sobre combustíveis, em especial o ICMS.
Segundo ela, a alta internacional do petróleo já elevou a arrecadação de estados e municípios, o que abriria espaço para aliviar a carga tributária.
“Cabe também a redução do ICMS. Eu espero que os estados deem sua contribuição para esse enfrentamento”, afirmou.
“Da mesma forma que o governo federal fez sua parte, que os estados, pelo menos, reduzam um pouco, em benefício da sociedade brasileira”.
Fonte: Agência Brasil
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