Levantamento do Iema mostra que a recuperação de pastos degradados permitiria expansão significativa da bioenergia até 2050, reforçando a meta de neutralidade climática.
O Brasil pode dobrar sua produção de biocombustíveis até 2050 sem ampliar áreas de desmatamento, de acordo com estudo do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema). O levantamento indica que o aproveitamento de apenas um quarto dos 100 milhões de hectares de pastagens degradadas seria suficiente para sustentar o crescimento da bioenergia no país.
O relatório sugere que, com planejamento e incentivos adequados, a expansão pode ocorrer de forma sustentável, utilizando terras já abertas e subutilizadas. A proposta integra uma das principais estratégias para conciliar desenvolvimento econômico e metas ambientais estabelecidas no Acordo de Paris.
Expansão sustentável
O Brasil é hoje um dos maiores produtores de biocombustíveis do mundo, com destaque para etanol e biodiesel. O estudo do Iema reforça que o país dispõe de um potencial inexplorado para ampliar sua produção sem comprometer biomas sensíveis como o Cerrado e a Amazônia.
“A recuperação de pastagens degradadas é uma oportunidade para expandir a oferta energética e reduzir emissões”, afirma o pesquisador responsável pelo estudo. Segundo ele, políticas de crédito e fomento podem transformar áreas improdutivas em polos de bioenergia e de agricultura regenerativa.
Barreiras e desafios
Apesar do potencial, o custo de recuperação de solos e a falta de infraestrutura logística são entraves. O uso dessas áreas exigirá investimento em irrigação, correção de solo e incentivos fiscais.
Outro desafio é a competição pelo uso da terra: a pecuária e o agronegócio tradicional ainda concentram boa parte dessas áreas, o que requer coordenação entre ministérios e governos estaduais.
Potência verde
A adoção dessa estratégia permitiria reduzir até 40% das emissões projetadas em um cenário de expansão convencional. Além disso, o Brasil reforçaria sua imagem de potência verde, capaz de crescer economicamente sem abrir novas fronteiras agrícolas.
Para especialistas, o estudo recoloca o país em posição estratégica na agenda global de sustentabilidade. “É uma prova de que a transição energética pode ser feita dentro dos limites ambientais”, afirma o documento.
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