A proximidade da Copa do Mundo e o aumento do consumo nos Estados Unidos impulsionaram as exportações brasileiras de carne bovina no começo de 2026. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos apontam crescimento nas compras americanas, cenário que reforça a posição do Brasil como um dos principais fornecedores globais em um momento de oferta apertada no mercado internacional.
Mesmo após a União Europeia sinalizar que poderá suspender importações de carne brasileira a partir de setembro, o mercado pecuário doméstico segue relativamente estável. Segundo o Cepea, a arroba do boi gordo continua negociada em torno de R$ 345, sem oscilações expressivas desde o anúncio europeu.
A participação da Europa nas exportações brasileiras é considerada pequena diante do peso de outros mercados. O bloco responde por cerca de 3% das vendas externas do setor. Ainda assim, os europeus seguem pagando valores mais altos pela proteína brasileira.
Entre janeiro e abril deste ano, a União Europeia importou 35 mil toneladas de carne bovina do Brasil, volume 17% superior ao registrado no mesmo período de 2025. O preço médio pago foi de US$ 8.625 por tonelada, acima dos valores desembolsados por chineses e americanos.
Estados Unidos ampliam compras de carne brasileira
O principal foco do mercado brasileiro, no entanto, está nos Estados Unidos. O pesquisador do Cepea, Thiago Bernardino de Carvalho, afirma que a combinação entre férias de verão no país e a realização da Copa do Mundo tende a elevar o fluxo de turistas e o consumo de produtos como hambúrgueres.
Os números divulgados pelo Usda confirmam esse movimento. Em março, os Estados Unidos importaram 272 mil toneladas de carne bovina, recorde para o mês e volume 19% maior que o registrado em março do ano passado.
As compras feitas diretamente do Brasil avançaram ainda mais. Apenas naquele mês, os americanos ampliaram em 26% as importações de carne bovina brasileira.
No acumulado do primeiro trimestre, os Estados Unidos importaram 775 mil toneladas da proteína, alta de 15% em relação ao mesmo período de 2025. Dados mais recentes da Abiec mostram que o Brasil exportou 150 mil toneladas para o mercado americano entre janeiro e abril, crescimento de 10% na comparação anual.
O cenário internacional ajuda a sustentar os preços. A oferta global de carne segue apertada, enquanto grandes compradores reforçam estoques diante da demanda crescente.
China mantém forte ritmo de importações
Além dos Estados Unidos, a China continua ampliando as compras de carne bovina brasileira. Segundo Carvalho, o avanço das importações chinesas está ligado à necessidade de abastecimento interno e à formação de estoques, não apenas a uma antecipação de compras em função da cota de importação de 1,1 milhão de toneladas.
Nos quatro primeiros meses de 2026, os chineses importaram 474 mil toneladas de carne bovina do Brasil. O volume representa crescimento de 21% sobre igual intervalo do ano passado.
O valor pago também aumentou. O preço médio atingiu US$ 5.744 por tonelada, alta de 19% frente ao mesmo período de 2025.
Com isso, a receita brasileira com as exportações de carne bovina para a China alcançou US$ 2,7 bilhões entre janeiro e abril, avanço de 44% na comparação anual.
Para o pesquisador do Cepea, o comportamento chinês mostra que existe necessidade concreta de abastecimento. Segundo ele, caso o país asiático não estivesse demandando volumes elevados, haveria pressão para redução dos preços internacionais.
União Europeia ainda pode negociar restrições
Embora a ameaça de suspensão das importações europeias gere preocupação no setor, a avaliação é de que ainda existe espaço para negociação antes de qualquer medida entrar em vigor.
Na avaliação do Cepea, uma eventual redução das compras europeias poderia abrir rearranjos comerciais entre países exportadores. Argentina e Uruguai, por exemplo, poderiam ocupar parte do espaço deixado pelo Brasil na Europa, enquanto os brasileiros ampliariam presença em outros mercados atendidos pelos concorrentes sul-americanos.
A avaliação predominante no mercado é que a demanda global aquecida ajuda a reduzir impactos mais severos sobre os preços internos.
Expansão da soja avança em Mato Grosso e Rondônia
Além da pecuária, o agronegócio brasileiro registra crescimento da produção de grãos. Levantamento do Mapas Agro, da Serasa Experian, mostra expansão da área de soja em Mato Grosso e Rondônia na safra 2025/26, apesar das dificuldades de crédito enfrentadas pelos produtores.
Nos dois estados, a área cultivada aumentou 294 mil hectares. Em Rondônia, o crescimento foi de 26 mil hectares.
A primeira safra de milho também avançou no período, com expansão de 13% da área plantada.
Os dados do levantamento mostram ainda elevado índice de adesão ao Cadastro Ambiental Rural nas áreas agrícolas. Em Mato Grosso, 97% das áreas de soja possuem registro no CAR. Em Rondônia, o índice chega a 93%.
Mato Grosso segue liderando a produção nacional, com 12,4 milhões de hectares destinados à soja. As grandes propriedades concentram 60% da área plantada, enquanto as pequenas respondem por 18%.
Em Rondônia, o crescimento da cultura chama atenção. A área cultivada com soja aumentou 84% nas últimas seis safras e atingiu 730 mil hectares em 2025/26. O perfil produtivo do estado indica participação mais equilibrada entre os diferentes portes de propriedades: 44% das áreas estão em pequenas fazendas, enquanto 38% pertencem a grandes produtores.
Fonte: Folha de São Paulo
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/um-bife-num-prato-de-madeira-com-um-raminho-de-alecrim_41725547.htm

