A Oi avança em mais uma fase do processo de recuperação judicial e prepara a venda da Oi Soluções, divisão responsável pelos serviços de tecnologia da informação e conectividade voltados ao mercado corporativo. A operação pode alcançar até R$ 1,59 bilhão, segundo avaliação financeira contratada pela companhia.
O movimento ocorre após anos de desmobilização de ativos considerados estratégicos. Desde o início da recuperação judicial, a empresa vendeu operações relevantes para reduzir o endividamento e reorganizar a estrutura financeira do grupo.
Agora, a Oi Soluções aparece como o próximo ativo da fila. A expectativa do mercado é de que a negociação desperte interesse entre grandes operadoras de telecomunicações, principalmente aquelas que já atuam no segmento corporativo com serviços digitais e infraestrutura tecnológica.
Entre os potenciais interessados estão Vivo, Claro e TIM, além de provedores regionais com presença no setor de tecnologia empresarial. Nos bastidores, conversas preliminares já começaram, segundo fontes próximas ao processo.
Algumas dessas companhias chegaram a declarar publicamente, em ocasiões anteriores, que acompanhariam uma eventual abertura de venda da unidade.
O grupo RK Partners, liderado pelo CEO e consultor financeiro Ricardo Knoepfelmacher, mais conhecido no mundo dos negócios como Ricardo K, elevou o valor de sua proposta para adquirir a rede desativada da Oi, com o objetivo de utilizá-la como sucata.
Avaliação aponta faixa de até R$ 1,59 bilhão
O valuation da Oi Soluções foi elaborado pela consultoria G5 Partners. O estudo estima que o ativo tenha valor entre R$ 1,27 bilhão e R$ 1,59 bilhão. A mediana calculada no relatório ficou em R$ 1,41 bilhão.
A projeção considera um múltiplo equivalente a 1,4 vez a receita líquida estimada da subsidiária. Segundo o laudo, a Oi Soluções deverá registrar faturamento próximo de R$ 987 milhões em 2026.
A unidade atua principalmente no fornecimento de soluções corporativas ligadas à conectividade, armazenamento em nuvem, segurança digital e infraestrutura de tecnologia da informação.
Nos últimos anos, esse mercado passou a ganhar relevância entre as operadoras de telecomunicações, impulsionado pela digitalização de empresas e pela demanda crescente por serviços integrados de tecnologia.
A venda da Oi Soluções já estava prevista no plano de recuperação judicial da companhia. Para viabilizar a negociação, o ativo foi separado em uma Unidade Produtiva Isolada, modelo conhecido como UPI.
Esse formato é utilizado em processos de recuperação judicial para facilitar a alienação de ativos sem transferência direta das dívidas da empresa aos compradores. Na prática, isso costuma aumentar o interesse do mercado nas negociações.
Justiça do Rio deve analisar pedido de venda
A Oi deve encaminhar à 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro o pedido formal para autorização da venda da UPI. É nesse tribunal que tramita o processo de recuperação judicial da companhia.
Pessoas próximas à operação afirmam que a expectativa é obter sinal verde da Justiça em aproximadamente três semanas. Após a aprovação, a empresa deverá divulgar o edital oficial ao mercado.
A publicação marcará o início da etapa formal de recebimento de propostas e definição dos interessados no ativo.
O processo representa mais um capítulo do redesenho da Oi, que vem reduzindo sua atuação operacional desde a venda de diversas frentes de negócios.
A companhia já negociou ativos considerados centrais nos últimos anos. A transação mais recente foi a venda de sua participação na V.tal, operação fechada por R$ 4,5 bilhões.
Antes disso, a empresa também concluiu a alienação de sua operação de banda larga e dos serviços de TV por assinatura.
Essas movimentações ajudaram a companhia a levantar recursos para pagamento de credores e reorganização financeira durante a recuperação judicial.
Venda de imóveis ainda faz parte do plano
Além da Oi Soluções, a companhia ainda possui uma extensa carteira imobiliária disponível para venda. Segundo avaliação preliminar, os imóveis somam cerca de R$ 5,8 bilhões.
Os ativos estão distribuídos em aproximadamente 3,4 mil cidades brasileiras. Grande parte desses espaços era utilizada anteriormente como estrutura de apoio para estações de telefonia.
Com a modernização das operações e mudanças tecnológicas no setor, muitos desses imóveis deixaram de ser utilizados e passaram a integrar o plano de desinvestimento da empresa.
O mercado acompanha a venda da Oi Soluções com atenção porque o segmento corporativo se tornou uma das principais apostas das empresas de telecomunicações nos últimos anos.
Serviços de nuvem, conectividade avançada, segurança cibernética e soluções digitais passaram a ocupar espaço estratégico nas receitas das operadoras, especialmente diante da desaceleração de áreas tradicionais da telefonia.
A expectativa agora recai sobre a aprovação judicial e a abertura oficial do processo competitivo de venda, que deve definir os próximos passos da Oi na reta final de sua reestruturação financeira.
Fonte: CNN Brasil
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/objetos-de-negocios-com-executivos-discutindo-projeto-na-reuniao_867778.htm

