A criação de uma rede de pesquisa voltada à reflexão econômica sobre produtividade, sustentabilidade e desenvolvimento foi anunciada nesta terça-feira (9), durante evento no Insper, em São Paulo. O encontro marcou o lançamento da Rede de Pesquisa em Produtividade e Sustentabilidade, a Rede PP&S, formada por especialistas de instituições brasileiras como Insper, Universidade de São Paulo (USP), Fundação Getulio Vargas (FGV) e Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). A iniciativa recebe apoio financeiro do Instituto Itaúsa e pretende consolidar um ambiente de colaboração de longo prazo entre grupos dedicados ao estudo da transição econômica do país.
Rodrigo R. Soares, professor do Insper e coordenador acadêmico da rede, destacou que a proposta nasce de uma demanda antiga por análises integradas. O debate econômico brasileiro, afirmou, ainda costuma separar temas ambientais e produtivos, o que limita a formulação de políticas abrangentes. “O objetivo é gerar conhecimento que ajude a informar políticas públicas nessa área”, disse. Ele observou que o cenário atual segue polarizado. “Parte do espectro focado em produtividade isoladamente e parte focado em sustentabilidade isoladamente. É a busca de um equilíbrio informado pela evidência científica.”
A nova rede pretende ampliar a inserção internacional da produção acadêmica brasileira, estimulando pesquisas que dialoguem com centros de excelência no exterior. O foco está em análises de alto impacto, tanto científico quanto aplicado. Energia, uso da terra, regulação ambiental, mudanças climáticas, finanças climáticas, impactos socioeconômicos do desmatamento, desigualdade, sustentabilidade urbana e políticas para a Amazônia estão entre as prioridades definidas no planejamento inicial.
Integração, visitas técnicas e conferência anual estruturam o programa
Soares explicou que o desenho institucional da Rede PP&S combina financiamento, cooperação e circulação de conhecimento. A criação de um programa de visitas de pesquisadores estrangeiros é um dos eixos da proposta. “A gente vai ter um programa trazendo pesquisadores estrangeiros para passar uma semana no Brasil, visitar diferentes instituições e interagir com a pesquisa sendo feita localmente. E uma conferência anual”, afirmou. Ele acrescentou que a comunicação de resultados será parte essencial do projeto. “Vamos fazer essa ponte com a sociedade civil também.”
A estrutura da rede parte de um objetivo central: produzir evidências que orientem políticas e estratégias de desenvolvimento capazes de conectar produtividade econômica e transição climática. Isso inclui estudos sobre governança de recursos naturais, agricultura sustentável, instrumentos econômicos voltados ao meio ambiente, infraestrutura, energia, mercado de trabalho, saúde e adaptação às mudanças climáticas.
As primeiras sessões de apresentação durante o evento mostraram a abrangência da agenda em construção. Foram discutidos trabalhos que examinam a relação entre condições ambientais e produtividade, além de análises sobre economia política da preservação e os efeitos socioeconômicos do desmatamento. “Acho que elas ilustram bem a amplitude de temas”, comentou Soares.
Embora as pesquisas envolvam diferentes áreas do conhecimento, o eixo metodológico permanece ancorado na economia. “É uma rede de pesquisa em economia”, reforçou o coordenador. Ele observou que gestão pública e administração são campos importantes para o debate climático, mas explicou que a proposta inicial foi estruturada especificamente para a economia aplicada.
Financiamento inicial garantido e perspectiva de expansão
O apoio do Instituto Itaúsa permitirá a manutenção das atividades nos três primeiros anos. A expectativa é que parcerias futuras ampliem recursos e alcance da rede. Soares afirmou que esse movimento será gradual e condicionado ao avanço dos projetos. “Ao longo do tempo é possível”, disse, fazendo referência ao processo de expansão institucional e de captação de novos financiamentos.
A Rede PP&S tem coordenação acadêmica de Rodrigo R. Soares e coordenação executiva de Leila Pereira. O comitê de pesquisa reúne Juliano Assunção, da PUC-Rio, Paula Pereda, da USP, Francisco Costa, da EPGE-FGV, além do próprio Soares. O programa prevê chamadas temáticas, apoio financeiro a estudos, visitas de pesquisadores de outros países, conferências internacionais e ações de divulgação científica voltadas à sociedade civil, buscando aproximar o debate sobre produtividade, clima e desenvolvimento do cotidiano brasileiro.
Fonte: Um só Planeta
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