A consultoria StoneX revisou para baixo sua previsão de crescimento da demanda por diesel B no Brasil em 2026. A nova estimativa aponta avanço de 1,6%, abaixo dos 1,9% projetados anteriormente. Com isso, o consumo do combustível deverá atingir 70,6 bilhões de litros no próximo ano, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira.
A atualização das projeções ocorre após sinais de enfraquecimento das vendas registrados em maio. De acordo com a consultoria, o ambiente econômico marcado por pressões inflacionárias contribuiu para um desempenho mais moderado do mercado, levando ao ajuste das expectativas para os próximos meses.
Mesmo com a revisão, a StoneX avalia que o consumo de diesel B continuará avançando em ritmo consistente. Se a projeção se confirmar, 2026 marcará o décimo ano seguido de crescimento da demanda e estabelecerá um novo recorde histórico para o combustível no país.
O diesel B é resultado da mistura entre o diesel fóssil e o biodiesel, sendo o produto efetivamente comercializado nos postos de combustíveis brasileiros. Seu desempenho costuma refletir o nível de atividade econômica, especialmente em áreas como transporte rodoviário, agronegócio e logística.
Ajuste nas projeções alcança o mercado de biodiesel
A revisão da expectativa para o diesel B também teve impacto sobre as projeções relacionadas ao biodiesel. A StoneX reduziu sua estimativa de crescimento para a demanda do biocombustível em 2026, passando de 7,3% para 6,8%.
Com a atualização, a consultoria prevê que o consumo de biodiesel alcance 10,36 bilhões de litros no próximo ano. Embora o percentual seja inferior ao estimado anteriormente, o volume continua indicando expansão relevante para o segmento.
Segundo a análise da empresa, o principal fator que sustenta esse crescimento é a mistura obrigatória de biodiesel ao diesel vendido no mercado nacional. Atualmente, o percentual está fixado em 15%, o que mantém elevada a necessidade de produção do biocombustível para abastecer a demanda doméstica.
A política de ampliação da participação dos combustíveis renováveis tem sido um dos pilares para o desenvolvimento do setor. Por essa razão, a expectativa continua sendo de crescimento do mercado, mesmo em um cenário de consumo mais moderado do diesel.
Diesel A terá crescimento mais discreto
Além das projeções para o diesel B e o biodiesel, a StoneX também atualizou suas estimativas para o diesel A, combustível fóssil puro utilizado na composição da mistura final.
A expectativa é que a demanda pelo produto alcance 60,2 bilhões de litros em 2026. O volume representa crescimento de 0,7% em relação ao previsto para 2025.
O avanço mais contido está relacionado à própria expansão da participação do biodiesel na mistura obrigatória. À medida que aumenta a parcela de combustível renovável presente no diesel comercializado, a necessidade de crescimento do diesel fóssil se torna proporcionalmente menor.
Ainda assim, o resultado projetado indica continuidade da expansão do mercado brasileiro de combustíveis, mesmo em um ambiente econômico considerado mais desafiador.
A consultoria destaca que a demanda permanece sustentada por setores que dependem fortemente do transporte de cargas. O agronegócio, por exemplo, segue entre os principais consumidores de diesel do país, influenciando diretamente os volumes comercializados.
Óleo de soja deve ampliar participação na produção
O relatório também traz estimativas para as matérias-primas utilizadas na fabricação de biodiesel. De acordo com a StoneX, o óleo de soja deverá ampliar sua presença no setor ao longo de 2026.
A participação da commodity na produção nacional de biodiesel está projetada em 84,5%. O aumento é atribuído à ampla oferta disponível no mercado brasileiro, condição que favorece sua utilização pelas usinas.
O Brasil ocupa posição de destaque na produção mundial de soja, fator que garante disponibilidade da matéria-prima em grande escala. Essa característica contribui para a competitividade do óleo de soja frente a outras fontes utilizadas pela indústria de biocombustíveis.
A expectativa da consultoria é que esse cenário continue favorecendo o produto nos próximos anos. Com oferta consistente e demanda sustentada pela mistura obrigatória, o óleo de soja deve permanecer como principal insumo da cadeia de biodiesel no país.
Apesar da redução das estimativas divulgadas pela StoneX, os números apontam para mais um ano de crescimento tanto para o diesel B quanto para o biodiesel. O mercado segue apoiado pelo consumo interno, pela obrigatoriedade da mistura renovável e pela disponibilidade de matérias-primas, fatores que mantêm a perspectiva de expansão para 2026.
Fonte: Terra
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/textura-liquida-transparente_47828812.htm

