Febre persistente, dores incomuns e sensação de mal-estar têm levado brasileiros a buscar respostas fora dos canais tradicionais. Um estudo do aplicativo de telemedicina Olá Doutor indica que sete em cada dez pessoas no país já utilizaram ferramentas de inteligência artificial para tirar dúvidas sobre sintomas ou possíveis doenças.
A pesquisa analisou hábitos de uso, frequência e os principais temas pesquisados em interações com plataformas digitais. O movimento reflete uma mudança recente no comportamento de quem busca informações de saúde, impulsionada pela facilidade de acesso e pela rapidez das respostas.
Para Hans Dohmann, médico e especialista em gestão de saúde, o uso de IA na saúde tem acelerado a incorporação de soluções baseadas em dados na oncologia. Saiba mais clicando aqui.
Perfil de quem recorre à IA para questões de saúde
O levantamento ouviu 500 brasileiros com mais de 18 anos, de todas as regiões do país. Os participantes responderam a oito perguntas sobre o uso de ferramentas como ChatGPT e Gemini em buscas relacionadas à saúde.
Entre os entrevistados, 71% afirmaram ter recorrido à inteligência artificial no último ano para esclarecer dúvidas sobre sintomas ou doenças. O índice é mais elevado entre pessoas com doenças crônicas, chegando a 81,4%. Entre aqueles sem esse tipo de condição, a taxa é de 61,6%.
As mulheres aparecem como as principais usuárias dessas ferramentas nesse contexto, com 74,5% relatando uso, enquanto entre os homens o percentual é de 66,2%. Jovens e estudantes também se destacam, especialmente na faixa etária de até 30 anos.
O uso vai além de sintomas básicos. Segundo o estudo, 49% dos participantes pesquisaram recentemente informações sobre medicamentos. Outros 41,6% buscaram compreender diagnósticos médicos, e 35,4% utilizaram a IA para interpretar exames ou laudos.
Entre os temas mais frequentes nas consultas aparecem sintomas gerais, citados por 59,6% dos entrevistados. Na sequência estão assuntos ligados à nutrição e alimentação, com 54%, e saúde mental, com 46,8%. Exercícios físicos e condicionamento somam 44,8%, enquanto medicamentos e efeitos colaterais aparecem com 44,6%.
Também foram mencionados temas como dermatologia, saúde preventiva, doenças crônicas e questões de saúde íntima. Primeiros socorros aparecem com menor frequência, sendo citados por 16,2% dos participantes.
Ferramenta complementar, não substituta
Para o CEO do Olá Doutor, Anderson Zilli, o uso da inteligência artificial pode ampliar o acesso à informação, mas não deve substituir a avaliação clínica. “Ferramentas assim podem ampliar o acesso à informação, mas não substituem a análise clínica feita por um profissional de saúde”, afirma.
O executivo destaca que o avanço da telemedicina contribuiu para tornar o atendimento mais ágil. Consultas online, por exemplo, podem ser realizadas rapidamente, oferecendo orientação profissional e reduzindo decisões baseadas apenas em pesquisas digitais.
Os dados indicam que o uso dessas ferramentas também tem efeitos positivos. Entre os entrevistados, 58,8% disseram ter passado a observar mais os sinais do próprio corpo após utilizarem inteligência artificial para dúvidas de saúde. Outros 52,4% afirmaram que aumentaram a frequência com que buscam informações sobre prevenção e cuidados.
Esse comportamento sugere maior engajamento com a própria saúde, embora ainda dependa de acompanhamento profissional para garantir segurança nas decisões.
Riscos e interpretações equivocadas
Apesar dos benefícios apontados, o estudo também evidencia pontos de atenção. Cerca de 20,2% dos entrevistados relataram ter desenvolvido um padrão de pesquisa excessiva sobre doenças. Outros 16,8% disseram ter ficado mais ansiosos em relação à própria saúde após utilizar essas ferramentas.
Erros de interpretação também aparecem com frequência. Três em cada dez pessoas admitiram ter considerado sintomas mais graves do que realmente eram. Em sentido oposto, 22,4% disseram ter minimizado sinais que depois perceberam ser mais sérios.
Outro risco identificado é o de seguir orientações fornecidas pela inteligência artificial que entram em conflito com recomendações médicas. A combinação de informações genéricas com a ausência de avaliação clínica pode levar a decisões inadequadas.
Esse cenário pode atrasar diagnósticos e o início de tratamentos corretos. Por isso, o estudo reforça a necessidade de cautela no uso dessas tecnologias, especialmente em situações que exigem análise individualizada.
A maioria dos entrevistados acredita que a inteligência artificial deve continuar avançando nos próximos anos. Ainda assim, há percepção de que o uso dessas ferramentas precisa de limites claros e acompanhamento profissional para evitar impactos negativos na saúde.
Fonte: CNN Brasil
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